13.09.2019

A telepressão e o direito à desconexão

O presente artigo tem como objetivo analisar os reflexos negativos da telepressão e destacar o direito à desconexão. 

A sociedade moderna tem como característica a informatização dos meios de comunicação. Com o telefone e internet, em qualquer lugar do mundo, as pessoas podem interagir entre si das mais diversas maneiras, seja por mensagens, vídeos e imagens, sendo que tal característica transcende ao ambiente de trabalho.

Os empregadores, visando uma conexão maior e mais rápida com seus colaboradores, se utilizam de diversas tecnologias, como pages, celulares cooperativos e e-mails, mais recentemente os grupos de WhatsApp para tocar mensagens de trabalho.

Ocorre que a utilização desses meio de comunicação para recados e ordens do empregador provocam inúmeros reflexos negativos aos funcionários, uma vez que o empregado permanece em constante sobreaviso.

Em estudo realizado nos Estado Unidos pela Universidade de Illinois, as professoras Larissa Barber e Alecia Santuzzi concluíram que o fato de estar constantemente conectado com o trabalho fora do horário de expediente pode diminuir a produtividade e aumentar as chances de ter problemas de saúde.

A telepressão, termo novo na esfera trabalhista, é a necessidade do empregado estar a par de todas as informações relativas ao ambiente de trabalho e o impulso de responder de forma rápida e constante as mensagens, e-mails e recados do empregador.

No estudo realizado pelas professoras, foram entrevistados cerca de 600 trabalhadores, a fim de verificar a intensidade da telepressão na vida dessas pessoas que estão constantemente munidas de seus dispositivos eletrônicos e sempre conectadas ao trabalho.

Na pesquisa, foi solicitado aos trabalhadores que respondessem de “concordo” até “discordo muito”, para inúmeras questões, dentre as quais: “acho difícil me concentrar em outras coisas quando recebo uma mensagem de alguém.”, “só consigo me concentrar melhor em outras tarefas depois que respondo minhas mensagens.”, “não consigo parar de pensar nas mensagens até respondê-las.”, “sinto uma necessidade forte de responder os outros imediatamente”, “tenho o impulso de responder os outros no momento em que recebo um pedido de alguém”, “é difícil resistir à vontade de responder uma mensagem imediata” etc. 

As pesquisadoras verificaram que os profissionais que responderam que “concordam” ou “concordam muito” podem estar sofrendo do mal da telepressão. 

Por fim, a pesquisa concluiu que os trabalhadores que têm alto nível de telepressão estão mais favoráveis à estafa, falta de foco, sintomas de abstinência e falta de qualidade de sono, uma vez que o empregado sempre conectado não tem tempo suficiente para se recuperar do trabalho. 

Assim, nasce o direito à desconexão. Silvia Regina Bandeira e Dutra Marco Antônio César Villatore esclareceram que, tem-se por desconexão, o direito de todo e qualquer trabalhador de usufruir de descansos de seu trabalho diário, seja ele dentro da jornada laboral ou ao término, de estar totalmente desvinculado do cargo ou função que exerce, servindo a restabelecer as energias, a suprir suas necessidades biológicas e fisiológicas, ficando disposto para o próximo período laboral. 

Ainda, a desconexão do trabalho é essencial para que o empregado possa realizar atividades culturais, sociais, recreativas, esportivas, afetivas, familiares, etc., ou de desenvolver seus projetos de vida nos âmbitos profissional, social e pessoal.

Por fim, destaca-se que o trabalhador possui o direito à desconexão do trabalho assegurado por lei, cuja Constituição de 1988 relaciona como direito fundamental do trabalhador à saúde, higiene e segurança no trabalho, aos descansos semanais, aos intervalos, às férias, à limitação da jornada, à redução de riscos de doenças e acidentes no trabalho. Tudo consubstanciado na saúde física e psíquica do trabalhador, a fim de proporcionar o restabelecimento da energia despendida ao trabalho. 

Diego Cardoso Ferreira

Advogado – OAB/PR 72.901


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